sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Veado Mateiro



Também conhecido como suaçupita, guatapará, guassu-pará e veado-pardo, veado mateiro é um animal discreto. Nas regiões onde divide o espaço com o ser humano, tende a se deslocar na boca da noite e no amanhecer, aproveitando um pouquinho de lusco-fusco destes períodos, é uma adaptação que a maioria dos animais fazem para não cruzar seu caminho com o do ser humano, por uma simples questão de sobrevivência.






É um bicho bem silencioso, ele pode passar do seu lado e, se você não estiver atento, não vai escutar coisa alguma, sua vocalização mais conhecida é um tipo de espirro que ele faz para dar o alarme quando pressente algum perigo, principalmente quando a fêmea tem cria ou estão andando em casal, apesar de seus hábitos serem solitários. Sua pelagem é castanho-ferruginosa, mais clara no ventre, esbranquiçada na garganta e quase preta em volta dos lábios e no focinho,os chifres simples e delgados, que atingem 12 cm de comprimento, caem em junho e nascem novamente em agosto setembro e só existem no macho.

As várias fotos que estou apresentando aqui foram tiradas de perto do meu rancho , de dentro de um pomar que temos;para fotografá-lo utilizamos uma máquina fotográfica de espera com um sensor de presença, e a armamos geralmente ao pé de alguma árvore que esteja com frutas, como pés de pitangas, caquis, nêsperas, jabuticabas etc, ele adora pegar as frutas que caem no chão ou as que estão ao seu alcance! mas há fotos tiradas por mim também presenciais... o interessante é que o veado costuma aparecer bem no cair da noite , lá por umas 19:00 ou 19:30 e, se nos aproximarmos com cautela e devagar ele não se espanta, ao iluminarmos ele com a lanterna o animal não entende que esta sendo iluminado , ele não sabe que o estamos enxergando, a única coisa que o espanta é a sua própria sombra que se forma com a luz da lanterna, pois isso ele reconhece, no mais confia na sua camuflagem ao acreditar que está na proteção da noite.




Com licença:

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Nome vulgar: VEADO MATEIRO
Classe: Mammalia
Ordem: Artiodactyla
Família: Cervidae
Nome científico: Mazama americana
Nome inglês: Deer
Distribuição: Leste do México até o Norte da Argentina
Habitat: Campos e florestas do nível do mar até 5.000m
Hábito: Diurno e noturno
Comportamento: Solitário
Longevidade: 13 anos
Maturidade: Fêmea - 1 a 2 anos, Macho - 1 ano
Época reprodutiva: outubro a janeiro
Gestação: 225 dias
Nº de filhotes: 01
Nº de crias: 01
Peso adulto: 8 a 25 Kg
Peso filhote: 510 a 576 Kg
Alimentação na natureza: Gramíneas e brotos
Alimentação em cativeiro: Vegetais
Causas da extinção: Caça e destruição do habitat
Veja um vide sobre do Veado mateiro:

video





quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Mãe-da-Lua



Meu Pai me conta que a primeira vez que ouviu o canto do Mãe-da-Lua na escuridão da noite, pensou que se tratava de uma pessoa doida perdida no meio da mata ou de uma alma penada, e ficou com medo ... depois é que ficou sabendo de um caboclo que aquilo era uma inofensiva espécie de coruja bocuda!

O Mãe-da-Lua é uma ave de hábitos noturnos e seu canto ecoa na noite de forma solitária, saudosa e misteriosa, podendo ser ouvido por toda a noite ,mesmo que de longe, quebrando o silêncio da mata.

Curiosamente, apesar de a noite esta ave se destacar, durante o dia ela é um mestre na camuflagem!

Você pode estar do lado de um Mãe-da-lua e nem notá-lo por horas; ele geralmente fica imóvel no topo de um pau seco e sua plumagem praticamente se funde à textura da madeira, parecendo uma coisa só, um toco sem vida! É impressionante seu disfarce!

Seu canto pode ser imitado com algum treino e a ave tem como característica responder ao seu chamado; ela facilmente vem fiscalizar seu território e verificar quem é o estranho que o está incomodando; é muito interessante escutar seu canto de pertinho, revela uma complexidade maior do que a que ouvimos ao longe, noite adentro;
Costuma se alimentar de insetos, caçando-os em pleno vôo, mas também pode se alimentar de pequenos vertebrados como rãs, lagartinhos etc. De tão feiosinho, é um animal bunitinho,aliás o jargão de Mãe Coruja também se encaixa ao Mãe da Lua, pois seus filhotes são muito, muuito feiosos! Em noites quentes de verão, gosto de sentar na rede da varanda de meu sítio e ter esta ave como companheira noite afora! Sempre dá um ar de mistério!





Veja o vídeo:
Classificação Científica:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Caprimulgiformes
Família: Nyctibiidae
Chenu & Des Murs, 1851
Espécie: N. griseus
Nome Científico
Nyctibius griseus
(Gmelin, 1789)
Nome em Inglês
Common Potoo

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Olhar Natural



Quando meu Pai chegou ao Brasil ele tinha 8 anos. Saiu às pressas da Lituânia, sua terra natal, horas antes desta ser invadida pela União Soviética, e se refugiou na Alemanha. Posteriormente teve que fugir de novo e desta vez do bombardeio aéreo que os Aliados impuseram à Berlim no final da Segunda Grande Guerra Mundial;e foi quando veio para o Brasil.

Chegando aqui, ele ainda não encontrou tranqüilidade, pois viver em um país estrangeiro, no período pós-guerra, vindo de uma região onde se situava o inimigo vencido (Países do Eixo) não era nada fácil. Todos os dias ele tinha de brigar nas ruas, pois a molecada de seu bairro o tinha como o inimigo derrotado, e vinham dar sua contribuição pós-guerra tacando tijolos na sua cabeça quando ia a pé para a escola;

Não quero falar aqui de guerras, nem tão pouco das brigas de meu Pai, quero falar de paz; mais especificamente, da paz interior que todos nós tanto queremos e que meu Pai a encontrou no convívio com a natureza.
Eu entendo a opção do meu pai em ser introspectivo e ao mesmo tempo olhar para tão longe ... Superado este período difícil que passou, com o detalhe de ter perdido seu pai aos 12 anos e sua mãe aos 18, paulatinamente se adaptou como pode à nossa sociedade, Embrenhou-se na exuberante natureza do Brasil, desvendando-a ao seu modo particular; costumava navegar com um barquinho na represa billings, acampava às suas margens, na época uma selva, e às vezes se metia pelo litoral paulista afora com seu candango.

Não era um biólogo e nem tão pouco um pesquisador, era um homem que buscava a paz, que não teve na infância nem na adolescência.

Acredito que algo maior que o destino levou-o a encontrar seu sonho num passeio de candango com sua noiva, hoje minha mãe, numa estrada de terra feita para manutenção das Usinas da CBA, na região de Ibiúna, por volta de 1965; o Casal avistou do alto de um abismo uma casinha de caboclo, no meio de um vale, absolutamente isolada e cercada pela Mata Atlântica tão intocada na época; pararam, admiraram a paisagem e seguiram viagem.
esta é a casinha


O desmatado no fundo deste vale  e a casinha avistada
Mal sabia ele que 6 anos mais tarde, já casado, compraria este mesmo lugar, sem saber que se tratava daquela casinha que avistara do alto daquele abismo.Foi uma grande surpresa!
Lá, durante anos criou um mundo a parte, longe da sofisticação urbana, e com uma concepção empírica de respeito à natureza, não quis dominar o local, não pensou em criar pastos para gado, sedes com luz elétrica, grandes plantações,cavalos, piscinas ... nada disso! plantou árvores frutíferas, manteve suas terras preservadas e o mais importante, levou a família toda, como um grande desbravador e aventureiro ( acredite, era uma aventura!), para conhecer e admirar com seus olhos a natureza deste país que ele, um estrangeiro, aprendera a amar.

Penso que esta história de meu Pai, apesar de particular, pode ser reeditada por muitas outras pessoas deste mundo, tão cheio de cidades tumultuadas, poluídas e violentas.
Vivemos num mundo angustiado, onde nossa busca pela felicidade quase sempre esbarra na falta de simplicidade, equilíbrio e serenidade em nossas vidas. Somos diariamente bombardeados por sonhos de consumo, padrões
de beleza e metas a serem cumpridas, e temos cada vez menos tempo para observar os caminhos que estamos trilhando e aonde queremos realmente chegar.
Acredito que quando se tem a oportunidade de olhar de perto a natureza, em toda a sua plenitude, ela se revela como um grande mestre em nossas vidas; em cada um de seus seres vivos, seus ciclos e sistemas há uma mensagem infinitamente rica que nos leva ao verdadeiro aprendizado do que é a busca pela harmonia, pela generosidade e pela paz interior.

Graças a meu Pai , que me levou durante toda minha infância à nosso sitio, tive a grande oportunidade de aprender logo cedo as lições da natureza e sempre me encantei com coisas simples como o cair da noite na mata escutando o canto dos Urus, o tilintar dos grilos, o coaxar dos sapos;Me maravilhava ao presenciar as estações do ano passando e produzindo as transformações na mata, nos bichos, no florescer da quaresmeira e no frutificar das jabuticabeiras; e me emocionava ao ver a lua nascer por detrás do morro com uma luz tão forte que parecia um sol iluminando a noite, ou ao olhar para o céu estrelado
numa noite escura e ver estrelas cadentes que
nos davam o direito de fazer um pedido! Tenho a certeza de que, entre meus pedidos de brinquedos, doces e sonhos que fiz, havia entre eles o sonho de preservar este lugar, pois lembro também que ficava de coração partido ao ouvir no meio da noite um tiro de espingarda ou o roncar de uma moto serra.
Minha história não é diferente da história de meu Pai, e nem de qualquer outro ser humano que tenha coração; não tive que passar por fugas de bombardeios, mas me vejo constantemente sofrendo com o descaso de nosso mundo com questões de vital importância para nossa própria sobrevivência ; não tive que lutar contra os vizinhos todos os dias para ir à escola, mas luto do fundo do minha alma contra o ceticismos e a inércia dos acomodados e revoltados de sofá; percebo que cada um, dentro de seu mundo e das suas particularidades, tem uma guerra própria diária em suas vidas.

Algumas das batalhas que travamos nos caem na cabeça como chuva e para elas temos a perseverança como arma, mas outras batalhas somos nós mesmo que escolhemos e temos a persistência como ferramenta ; escolhi esta, a de preservar este lugar que os relatei e ajudar a transmitir, através das fotos e textos que publico, seus conhecimento ocultos que aprendi e continuo aprendendo todo as vezes que piso nesta terra isolada e ao mesmo tempo tão próxima para quem a percebe.

"Não existe uma só explicação que represente por completo o que sinto  quando estou aqui, pois o passado o presente e o futuro se misturam entre sonhos e esperanças que mantenho para este lugar.
As  aventuras vividas, neste universo paralelo a minha  vida na cidade, estão entre as lembranças mais queridas e distantes que possuo; foram ricas  experiências de infância vividas em um cotidiano simples e puro, cada vez mais esquecido  pela modernidade.
 Longe da loucura das cidades e da falta de valores de nossa sociedade, ainda hoje este lugar se apresenta de forma harmônica e generosa para todos que aqui vêm! É com o acúmulo das lições aqui vidas que nasceu o amor, a admiração  e a sintonia que tenho com este lugar.
Enquanto eu puder, sempre virei até aqui viver uma nova surpresa e aprender uma nova lição. Este chão é a minha fonte de sabedoria, meu reduto de paz e meu caminho para uma vida verdadeiramente feliz.
" Mauricio Merzvinskas